PALATINOSE no exercício físico

A habilidade que um determinado alimento eleva os níveis de glicose sanguínea é conhecida como índice glicêmico, que refere-se a velocidade com que os carboidratos são disponibilizados na corrente sanguínea, esta velocidade varia de acordo com o tipo e quantidade de carboidrato e como ele é digerido e absorvido pelo nosso organismo.

O índice glicêmico é um sistema numérico para medir a taxa de glicemia induzida por um determinado alimento, quando relacionado à glicose (Augustin et al., 2008). A taxa normal de glicose no sangue para indivíduos em jejum de 8 horas gira em torno de 70-90mg/dl aproximadamente, não ultrapassando 100mg/dl. Caso haja aumento neste valor, ha possibilidade que o individuo seja portador do diabetes mellitus, já que o nível de glicemia é regulado pelos hormônios pancreáticos insulina e glucagon, e a diabetes preconiza uma falha na ação da insulina (tipo II) ou produção da mesma (tipo I).

Quando pensamos na alimentação de atletas, historicamente, os carboidratos (CHO) são os nutrientes mais relacionados com a melhora da performance, principalmente em esportes com características aeróbias e de longa duração. As formas mais usadas são maltodextrina, dextrose, glicose e sacarose, todos possíveis de serem diluídos em água, possuindo um alto índice e carga glicêmica. Podem ser usados em concentrações de 6-8% durante as provas longas, por exemplo: em 500ml de água dilui-se 30g de CHO para ingerir durante os exercícios, para promover uma disponibilidade de glicose para o sistema nervoso central e para os músculos exercitados. Outra estratégia é usar os CHO no período pós exercício para recuperar os estoques de glicogênio muscular e hepático.

Atualmente outras formas de carboidratos estão surgindo no mercado e dentre elas temos em especial a Isomaltulose, mais conhecida como Palatinose. É um dos dissacarídeos (glicose e frutose), com as ligações alfa1-6 glicosidicas oriundo do mel e cana de açucar e possui o mesmo valor calórico dos carboidratos, 4kcal/g (LINA et al.,2002), porém a comercialização é feita a partir da extração na beterraba.

A absorção da palatinose depende de enzimas isomaltases, sendo que sua digestão final acontece no intestino, assim sua liberação na corrente sanguínea ocorre de forma lenta. Segundo Atkinson e colaboradores (2008), a palatinose possui um índice glicêmico de 32, sendo considerada de baixo.

A maioria dos trabalhos com a palatinose analisam o efeito de carga glicêmica e oxidação de gordura em pacientes com problemas metabólicos, como diabetes e resistência a insulina.

Com relação ao uso para a nutrição esportiva, a palatinose pode ser usada de maneiras distintas, por exemplo: aumentar a oferta de carboidrato da dieta durante o dia, sem aumentar as concentrações de insulina, pode ajudar no ganho de peso de massa muscular sem o acúmulo de gordura, ou usar a palatinose nos intervalos das refeições maiores quando o individuo não consegue realizar uma refeição sólida, sendo assim, o nutricionista prescreve uma dose de palatinose em conjunto com uma proteína isolada, facilitando a ingestão calórica e proteica do atleta.

Desta forma, o calculo da dieta feito pelo nutricionista esportivo abre a possibilidade do uso de diferentes fontes de carboidrato para alcançar um determinado objetivo estético ou atlético.

ATENÇÃO:

Assim como qualquer alimento, a palatinose contém calorias e, se consumida em excesso, pode trazer malefícios como o acúmulo de gordura. Para evitar efeitos colaterais, sempre procure um profissional da saúde para te acompanhar nas dietas e treinos.

Referências:

1. Willians MH. Nutrição esportiva. In: Shils ME, Shike M, Ross AC, Caballero B, Cousins RJ. Nutrição moderna na saúde e na doença. 10a ed. Barueri, SP: Manole; 2009. p. ?????.
2. Kreider RB, Wilborn CD, Taylor L, Campbell B, Almada AL, Collins R, et al. ISSN exercise & sport nutrition review: research & recommendations. J Int Soc Sports Nutr. 2010;7:7.
3. Hellemans IJ, King C, Rehner NJ, Stening L. Position of the New Zealand Dietetic Association (Inc): Nutrition for exercise and sport in New Zealand. Nutr Diet. 2008;65(Suppl 4):A70–A80.

4. Atkinson FS, Foster-Powell K & Brand-Miller JC (2008) International tables of glycemic index and glycemic load values: 2008. Diabetes Care 31, 2281–2283.
5. Augustin LS, Franceschi S, Jenkins DJ, et al. (2002) Glycemic index in chronic disease: a review. Eur J Clin Nutr 56, 1049–1071.
6. Lina BAR, Jonker D & Kozianowski G (2002) Isomaltulose (Palatinose): a review of biological and toxicological studies. Food Chem Toxicol 40, 1383–1389.

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